[RELATOS] Quantas pessoas viram essa imagem?

No ano de 2006, vim pela primeira vez à Aldeia Kiriri. Atravessei o sertão da Bahia, sob o sol, peguei uma estrada de chão e cheguei em Mirandela, terra dos índios kiriri. Fui recebida, no telecentro empoeirado, pelo amigo Marcelo Kiriri, que nos hospedou em sua casa. Era nosso primeiro contato com aquela coisa – a máquina – e essas pessoas – os índios kiriri. Partimos para o exercício de leitura crítica da mídia com uma pergunta ao tuxáua google sobre o que havia ali nesse pequeno vasto mundo sobre os índios kiriri. Teses, imagens, verbetes, vídeos, muita mídia. Inclusive mídia indígena. O desafio foi fazer uma leitura (audiovisual) desse conteúdo. Os indígenas diziam conhecer muitos dos pesquisadores, jornalistas, autores; conheciam ‘os outros’ que compõem por aí a imagem do que são (somos), mas incomodavam-se com o retorno ausente e de desconhecerem o destino dos ‘dados’, onde vão parar suas narrativas, suas imagens… Muita discussão e inquietação a descoberta causou em todos nós. Quem seriam essas pessoas e onde chegamos através delas.

Hoje estou de volta à Aldeia Mirandela, seis anos depois, para participar da instalação da Rádio Kiriri FM e sou recebida pelo agora Cacique Marcelo Kiriri, que nos acolhe em sua casa novamente. No telecentro, agora funciona a Rádio Kiriri 88,5, que é muito legal!
Pelas publicações de imagens/textos/áudios na internet, sou questionada por um jovem indígena sobre os direitos autorais da foto dele que circula na internet junto com a notícia da nova rádio indígena dos kiriri. – Quantas pessoas já viram essa imagem?
kiriri_01
Thaís Brito, Jornalista, Assessora de Comunicação da Rádio Kiriri FM
Aldeia Kiriri, Primavera 2012

 

Anúncios